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AUTOMOBILISMO

Um panorama do veículo elétrico no Brasil

Uma alternativa aos constantes aumentos da gasolina, o carro elétrico tem uma longa história, mas está longe de ainda ser algo barato e comum nas ruas

Alex Neres

Alex Neres Universo automotivo e mobilidade urbana.

19/02/2021 21h42Atualizado há 1 semana
Por: Alex Neres
Fonte: Alex Neres
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JAC iEV20: vendido a R$ 149.900, é o elétrico mais acessível do país. Fonte: Divulgação JAC Motors
JAC iEV20: vendido a R$ 149.900, é o elétrico mais acessível do país. Fonte: Divulgação JAC Motors

Quase toda semana estamos abrindo os noticiários e nos deparando com constantes aumentos no preço dos combustíveis. A gasolina e o óleo diesel estão cada vez mais caros nas refinarias e não há outra saída para os donos de postos se não repassar o aumento ao consumidor. Consequentemente sair de carro ou de moto está cada dia mais custoso. Pior ainda: com o diesel lá em cima, os fretes rodoviários estão cada vez mais caros e isso reflete uma reação em cadeia de toda a esfera de consumo, jogando para cima o valor de praticamente tudo. 

 

Dadas às circunstâncias que norteiam o preço dos combustíveis fósseis no país, não há muito que se fazer quando se pensa em um veículo motorizado, uma das poucas soluções que se contrapõem a isso são os carros elétricos. Populares desde os anos 90 nos Estados Unidos, não chega a ser uma inovação em nosso país. Em 1974, o engenheiro que tinha a fábrica que levara seu nome, João Conrado do Amaral Gurgel, apresentou o primeiro protótipo de carro elétrico do Brasil: o Itaipu. Com dimensões diminutas, construção simples e um pequenino motor que garantia uma rodagem de até 50 km. O mundo vivia o fantasma de uma crise global de petróleo e novas soluções energéticas eram pensadas em todos os cantos do globo. Aqui não fora diferente, todavia o Itaipu original não passou de uma fase experimental de protótipo. Uma versão furgão denominada E-400 chegou a ter algumas unidades vendidas, mas não decolou.

 

Gurgel Itaipu, o primeiro carro 100% elétrico projetado no Brasil em 1974. Fonte: Creative Commons
Gurgel Itaipu, o primeiro carro 100% elétrico projetado no Brasil em 1974. Fonte: Creative Commons

 

 

Nos anos 90, os propulsores elétricos explodiram na Europa e nos Estados Unidos. Enquanto no Velho Mundo, o mesmo estava mais presente em carros pequenos, do outro lado do Atlântico os fabricantes colocavam motores elétricos em carros já existentes e lançavam novos modelos médios exclusivamente elétricos. Com o tempo, foram surgindo também os carros híbridos, que combinavam o uso do motor a gasolina com um motor elétrico, garantindo assim mais autonomia e flexibilidade.

 

Mas os veículos elétricos sempre esbarraram em alguns problemas. O primeiro deles é o preço, muito alto devido à produção das baterias ser um processo de custo elevado e restrito a poucos fabricantes. Além disso, mesmo as melhores baterias tinham uma autonomia que fica muito aquém de um tanque cheio de gasolina, o que dificultava o deslocamento entre estados diferentes e trechos de rodovia muito extensos. Os motores movidos a energia elétrica tinham um torque total de forma instantânea, porém a velocidade final era bem inferior.

 

Autonomia e desempenho foram sendo melhorados com o passar dos anos e adoção de novos metais na construção das baterias. Os antiquados conjuntos de Chumbo foram trocados por células de Lítio, melhorando assim consideravelmente a performance e durabilidade. Todavia o problema do custo alto continuou e quando eles estão desgastados e perdendo autonomia, o custo para substituição é praticamente inviável, chegando a valerem até mais que o preço do veículo usado naquele momento.

 

No Brasil, todos estes fatores travaram a chegada deste modelo energético, os primeiros a aportarem aqui foram os veículos híbridos. O primeiro modelo comercializado aqui foi o Mercedes-Benz S400 Hybrid. Custando na época expansivos US$ 253.000, combinava o motor a combustão de 279 cavalos com um propulsor elétrico de 20 cavalos, aliados ao acabamento de muitos mimos da série mais luxuosa da marca. Claro, era um veículo para (bem) pouco, mas no mesmo ano, a Ford lançou a versão Hybrid do Fusion, que custava R$ 130.000, abrindo um grande leque de compradores. Mas a arrancada do híbrido veio em 2013, a Toyota trouxe o seu carro-chefe hibrido, o Prius. Custando R$ 120.000, foi a consolidação, fazendo com que este tipo de tecnologia começasse a ser mais vista em nossas ruas.

 

Mercedes S400 Hybrid: pioneiro, mas restrito a poucos devido ao alto preço. Fonte: Creative Commons

Mercedes S400 Hybrid: pioneiro, mas restrito a poucos devido ao alto preço. Fonte: Creative Commons

 

 

Toyota Prius, o carro que fez o híbrido cair no gosto do brasileiro. Fonte: Creative Commons

Toyota Prius, o carro que fez o híbrido cair no gosto do brasileiro. Fonte: Creative Commons

Porém, os carros elétricos puros só chegaram no ano seguinte, em 2014. O compacto BMW i3 surgiu com um preço de R$ 199.900 e oferecendo uma autonomia de até 335 km com uma única carga. O design de linhas puras, mas ao mesmo tempo simpático não era uma unanimidade, o modelo tinha um acabamento excelente e desempenho condizente com a proposta. Posteriormente a marca alemã trouxe também o superesportivo i8, que tinha uma excelente combinação de desempenho e zero-emissões, porém com um custo proibitivo de R$ 649.950.

 

Nos últimos anos, o elétrico “popular” foi ganhando seu espaço e diversos fabricantes resolveram investir neste nicho. A Renault lançou o pequenino Zoe, a chinesa Jac trouxe uma infinidade de modelos que variam do compacto iEV20 à picape grandalhona iEV330P. A Nissan entrou no jogo com o Leaf, a Chevrolet com o Bolt e a CAOA Chery começou a fabricação do Arrizo 5e. A mesma até cogitou trazer a versão elétrica do compacto QQ (chamada eQ na China), porém a versão a gasolina saiu de linha antes e sepultou a proposta. Mesmo com custos menores do que dos modelos que estrearam o segmento no Brasil, a diferença de preço para os mesmos movidos a gasolina são ainda enormes, chegado algumas vezes a custar duas a três vezes mais. Hoje, o elétrico mais barato à venda é o JAC iEV20, no valor de R$ 149.990.

JAC iEV20: vendido a R$ 149.900, é o elétrico mais acessível do país. Fonte: Divulgação JAC Motors

JAC iEV20: vendido a R$ 149.900, é o elétrico mais acessível do país. Fonte: Divulgação JAC Motors

 

Mesmo com a constante adequação dos fabricantes e também da geografia das cidades para receber os veículos elétricos, como a adoção de pontos de recargas em estacionamentos e postos em cidades e rodovias, o sonho elétrico de mobilidade brasileira ainda está bem distante. Além do custo alto dos carros e de baterias de reposição, assim como o descarte correto destas, temos que nos lembrar que vivemos em um país de dimensões continentais e que possui apenas 12,4% de estradas pavimentadas, segundo levantamento da CNT (Confederação Nacional dos Transportes). Há muitos núcleos urbanos fora do eixo sul-sudeste que estão muito distantes, até mais do que a autonomia de um carro elétrico.

 

Isso dificulta muito uma solução elétrica a nível nacional, pois como pode-se adotar postos de recarga onde sequer há asfalto? Sem contar que muitas cidades dependem de energia com fontes não-limpas. Então o argumento de zero-emissões automaticamente se anula: não tem poluente na mobilidade, mas temos na geração da energia. Uma coisa é pensar em uma São Paulo com carros e motos elétricos, outra coisa é isso em Macapá.

 

Por fim, o maior problema que torna este projeto distante é a carga tributária onde veículos elétricos são submetidos a uma carga de IPI altíssima comparada a veículos a combustão. Isso vai na total contramão do que acontece na Europa e nos EUA. Em suma: não há incentivo para que o carro a gasolina seja substituído. Enquanto isso, nos deparamos com aumentos cada vez mais estratosféricos nos postos e longe de ver uma solução. Neste ponto, há uma grande inércia no país. Aliás, a inércia é a causa de grande parte dos problemas que tornou o Brasil um escravo do combustível fóssil: uma parte do país flui em quatro faixas, sem buracos e postos com fast-foods americanos. A outra sequer tem asfalto, bomba de combustível e nem a menor condição para o cidadão ir e vir.

 

Alex Neres também é comentarista esportivo na Rádio 4 Tempos. Todas as Terças-Feiras, as 19h o programa 4 Tempos em 4 Rodas com tudo que acontece no mundo do automobilismo, além de análises e comentários sobre os lançamentos, tendências e  novidades no universo automotivo. 

Acessem http://www.radio4tempos.com.br e confira toda a programação.

 

Alex Neres
Colunista de Automobilismo e Mobilidade Urbana
Ipê Brasília

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Email: [email protected]com

 

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