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AUTOMOBILISMO

Uma corrida de promessas

Fechado e abandonado, o Autódromo Internacional Nelson Piquet agoniza diante de promessas que nunca saem do papel e de incertezas sobre seu próprio futuro

Alex Neres

Alex Neres Universo automotivo e mobilidade urbana.

11/02/2021 21h51Atualizado há 3 semanas
Por: Alex Neres
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foto: Agência Brasília
foto: Agência Brasília

Quando olhamos Brasília vista de cima, através dos aplicativos de mapas ou por um simples voo, não tem como ficarmos indiferentes com a suntuosidade do Estádio Nacional Mané Garrincha e com outras paisagens que ficam naquele redor. Mas uma destas paisagens, apesar de ocupar uma área enorme, passa despercebido devido ao seu completo abandono: o Autódromo Internacional Nelson Piquet. 

Inaugurado em 1974 pelo então presidente Emilio Garrastazu Médici, o evento inicial foi logo de cara uma corrida extracampeonato (que não conta pontos para o Mundial) da Fórmula 1. Doze carros vieram e a vitória ficou com o brasileiro Emerson Fittipaldi após 40 voltas. A partir disso, a pista de 5.475 metros e com um anel externo de 2.919 metros, passou a figurar como uma das figurinhas mais icônicas do automobilismo nacional, recebendo provas de inúmeras categorias. O Brasil vivia o auge do esporte a motor, com diversas categorias de base bancadas e organizadas pelos fabricantes de automóveis. 

Todavia no final dos anos 90 e início dos anos 2000 essa força motriz foi se enfraquecendo. Muitos destes campeonatos foram sumindo e com a escassez de corridas, o autódromo foi sendo deixado de lado em detrimento às corridas realizadas no eixo sul-sudeste. Sem interesse em mexer, o circuito virou então um elefante branco em acelerado processo de deterioração. A estrutura já era precária e isso também se refletiu na segurança. Em 2001 isso ficou evidente quando o piloto goiano Laércio Justino perdeu a vida em um grave acidente durante os treinos para uma prova de Stock Car.

Provas continuaram sendo realizadas, mas em número cada vez menor. Mas acendeu-se uma luz no fim do túnel quando a IndyCar anunciou interesse em trazer a prova da categoria norte-americana para abrir a temporada 2015 em Brasília, após a empreitada em São Paulo não ter seguido adiante. O anúncio fora feito em Novembro de 2014 e a corrida estava programada para Março. O então governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz confirmou que faria as reformas que fossem necessárias para adequar o circuito para as provas da Fórmula Indy e que em Março tudo estaria pronto.

A atitude, convenhamos, foi pra lá de irresponsável de ambas as partes, tanto da IndyCar, quanto do governo do Distrito Federal. O Brasil vivia um período próximo da transferência de governadores e dificilmente o então governador eleito Rodrigo Rollemberg iria dar conta de uma obra faraônica em prol do esporte com tantos problemas oriundos da gestão anterior da capital. Além disso, os problemas do autódromo iriam muito além do que uma simples obra de seis meses mostravam. Mesmo assim, abriram venda de ingressos, começaram um show de demolição em toda a área do paddock e mantiveram todos os prazos e garantias do evento.

Claro que isso iria dar errado. A obra acabou suspensa por suspeita de irregularidades e dois meses antes da corrida acontecer, o trabalho foi definitivamente cancelado. Não ganhamos a Fórmula Indy e o que restou foi um mausoléu de boxes demolidos, asfalto em péssimo estado e muita irresponsabilidade e falta de compromisso com as pessoas da cidade e com os amantes do esporte a motor. 

Durantes todos estes últimos anos, o Autódromo Internacional Nelson Piquet ficou sendo objeto de muitas promessas, mas até então, nenhuma delas saiu do papel. Com isso, o automobilismo local nunca mais deu as caras na capital federal, além de deixar um enorme espaço degradado ao lado de um Coliseu do futebol.

Há alguns dias, foi divulgado mais uma nota, no qual a Terracap estuda a viabilidade de parcerias público-privadas para revitalização do Pontão do Lago Sul e também do autódromo. O plano é transformar e trazer de volta os dias de glória do automobilismo e também tornar o local um grande centro de eventos. Porém quando se olha todo o histórico, percebe-se que a coisa é muito mais complicada do que se parece e que soa como uma das muitas promessas que foram feitas em cima da pista.

Primeiro ponto é que o autódromo tem um traçado concebido como um miolo dentro de um polígono, como todo circuito com anel externo. Isso dificulta bastante alterar o traçado pois todas as áreas em volta do terreno estão com sua geografia ocupada por ruas, avenidas e outros complexos. O traçado atual não tem um plano de segurança que atenda às exigências da Federação Internacional do Automóvel (FIA), pois há muitos trechos com pouca área de escape e que causariam ferimentos nos pilotos em caso de um acidente. 

Um destes pontos é a Curva da Bruxinha. Localizada no miolo e atrás dos boxes, é uma curva à esquerda com um ângulo de aproximadamente 35º que a maioria das categorias faziam de pé embaixo. Simulações feitas em jogos eletrônicos mostram que um carro de Fórmula 1 poderia fazer esta curva próximo dos 300km/h. A área de escape deste ponto é muito pequena. Além disso, as curvas do anel externo possuem também pouca área de escape, e com terra, o que pode proporcionar um risco de capotagens em carros que saem da pista com a possível presença de bumpings (ondulações).

Outro problema é justamente o asfalto que está completamente em ruínas. Brasília tem um clima tropical e com isso, corridas de carros possuem um desgaste de pneus enorme devido à abrasão da pista. O trabalho teria que ser feito todo do zero e restaurar os quase 6 quilômetros seria algo bem custoso. 

Com isso, vemos que o trabalho para adequar a tudo que se deseja para o autódromo será algo muito mais faraônico do que se imagina. Como dito anteriormente, a geografia do circuito não permite fazer muita coisa em prol de segurança. O miolo teria que ser diminuído e o traçado redesenhado. No anel externo, os velhos guard-rails teriam que ser trocados e além dos pneus, seria necessário a adoção de barreiras amortizantes de impacto, chamadas Safe-Barriers, usadas em todos os circuitos norte-americanos. A área do boxe precisa ser reconstruída de forma que as equipes consigam trabalhar bem e haja estrutura decente para a imprensa.

Além disso, é preciso que quem se dispor a fazer acontecer, trabalhe a área ao redor da pista. Estacionamentos, passarelas de acesso, locais para venda de produtos relacionados ao evento. Um complexo esportivo nunca é somente a casca. Tem toda uma estrutura humana que vai frequentar o local, assistir o evento e, dado os valores que são cobrados pelos ingressos, uma estrutura que proporcione o mínimo de conforto. 

Mas será que isso tudo será feito desta forma? Já respondo: não! Mesmo que a força privada banque boa parte do investimento e cuide de tudo durante a barganhada concessão, farão apenas o básico, justamente porque falta vontade de investirem em esportes de nicho no Brasil. O automobilismo não é unânime e nem tão vendável como o futebol. E mesmo o futebol ainda tem se mostrado pouco frutífero financeiramente para a capital. As próprias entidades responsáveis pelo automobilismo no país corroboram com a cultura de um esporte sem empolgação, então para quê gastar milhões em um filho que é renegado até pelo pai? No máximo reconstruirão os boxes, colocarão as vidraças quebradas e assim será. O Autódromo Internacional Nelson Piquet continuará sendo apenas o retrato daquilo que se sonhou um dia para a capital, já que em sua realidade, será por muito tempo, um mausoléu de asfalto e descaso.

 

Alex Neres também é comentarista esportivo na Rádio 4 Tempos. Todas as Terças-Feiras, às 19hs o programa 4 Tempos em 4 Rodas com tudo que acontece no mundo do automobilismo, além de análises e comentários sobre os lançamentos, tendências e  novidades no universo automotivo

Acessem http://www.radio4tempos.com.br  e confira toda a programação

 

 

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