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Literatura

Odeio os indiferentes: escritos de 1917

de Antonio Gramsci

02/06/2020 14h01
Por: Redação
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Divulgação
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Odeio os indiferentes é uma coletânea de artigos escritos ao longo de 1917 pelo então jovem jornalista italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Os textos escolhidos foram publicados nos jornais socialistas Il Grido del Popolo [O grito do povo] e Avanti! [Avante!] e no folhetim La Città Futura, da Federação Juvenil Socialista, que, escrito inteiramente por Gramsci, contém o artigo que dá título à obra. 

Grande parte dos textos selecionados é inédita em português. Seguindo a linha cronológica do conturbado ano de 1917, a coletânea apresenta as divergências sobre socialismo e revolução entre Gramsci e o Partido Socialista Italiano, o PSI, do qual o filósofo era membro; perpassa os acontecimentos da Revolução Russa; traz análises sobre os bolcheviques e seu líder, Vladimir I. Lênin; expõe críticas e diagnósticos sobre a Primeira Guerra Mundial; e oferece previsões sobre os rumos do socialismo italiano. 

Além dos artigos, o volume traz todo um aparato crítico elaborado pelos tradutores: texto de apresentação, notas de rodapé e cronologia da vida e da obra do pensador marxista. 

 

Trecho

“Odeio os indiferentes também porque me irrita o seu choramingar de eternos inocentes. Pergunto a qualquer um desses como cumpriu a tarefa que a vida propôs e propõe cotidianamente, daquilo que realizou e especialmente daquilo que não realizou. Sinto que posso ser inexorável, que não preciso desperdiçar minha piedade ou compartilhar minhas lágrimas. Sou resistente, vivo, sinto na virilidade da minha consciência pulsar a atividade da cidade futura que estou ajudando a construir. Nela a cadeia social não pesa sobre poucos, cada acontecimento não é devido ao acaso, à fatalidade, mas é obra inteligente dos cidadãos. Não há ninguém na janela contemplando enquanto os poucos se sacrificam, se esvaem em sacrifício; aquele que permanece de plantão na janela para aproveitar do pouco que a atividade dos poucos alcança ou para desafogar a própria desilusão vituperando o sacrificado desfalece sem conseguir o que pretende. Vivo, tomo partido. Por isso odeio quem não o faz, odeio os indiferentes.”

 

Sobre o autor

Antonio Gramsci (1891-1937) foi um teórico e ativista político marxista. Nascido na Sardenha, estudou na Universidade de Turim e em 1913 se filiou ao Partido Socialista Italiano (PSI). Em 1921, é eleito para o Comitê Central do novo Partido Comunista da Itália (PCd’I). Foi perseguido e preso em 1926, durante o regime fascista de Benito Mussolini. Após onze anos de confinamento, foi libertado, mas morreu dois dias depois. Na cadeia, produziu uma obra fenomenal, manuscrita em mais de trinta cadernos, que entraram para a história do marxismo. 

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