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Impeachment

Governabilidade comprometida faz mercado começar a precificar impeachment, diz economista-chefe da Rio Bravo

A acusação é séria e se for fundamentada pode ser justificativa para um processo de impeachment

27/04/2020 15h04
Por: Redação
Fonte: 6 Minutos
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As declarações do agora ex-ministro Sergio Moro caíram como uma bomba no governo de Jair Bolsonaro. Representante da pasta de Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz disse que Bolsonaro decidiu exonerar o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, porque queria interferir nas investigações em curso.

A acusação é séria e se for fundamentada pode ser justificativa para um processo de impeachment. A questão é que a demissão de Sergio Moro é só mais um capítulo de um período de perda de governabilidade e confiabilidade. Essa é a análise de Evandro Buccini, economista-chefe da gestora Rio Bravo, fundada por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central.

Ele diz que o ministro da Economia, Paulo Guedes, é ainda um importante fiador do governo, mas que a sua permanência pode ser ameaçada caso Bolsonaro decida acelerar gastos e ignorar reformas.

“Com essa perda de funcionalidade, Guedes pode ficar de mãos atadas, e então se questionar: por que ficar no governo se não há mais tanto a se fazer?”, questiona o economista.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

Qual o impacto da demissão de Sergio Moro para o futuro do governo?

O primeiro impacto é econômico — nós vimos hoje a bolsa de valores caindo quase 10%, após o anúncio da demissão. Mas me parece que esse é um quadro que vai além disso. Há a previsão de perda de governabilidade e de perda de funcionalidade nos próximos meses, o que gera uma expectativa de que o (Paulo) Guedes possa sair do governo.

Com essa perda de funcionalidade, Guedes pode ficar de mãos atadas, e então se questionar: por que ficar no governo se não há mais tanto a se fazer?

O ministro da Economia já vem dado sinais de que está perdendo força?

A pandemia do coronavírus já foi um desvio grande do curso na agenda de reformas, afinal há a necessidade clara de participação do governo para conter a crise. Essa perda política do Executivo fez com que o Legislativo criasse protagonismo durante a crise.

Com isso, foi gerado um volume grande de despesas. Basta lembrar que no início da pandemia o próprio Paulo Guedes dizia que R$ 5 bilhões de reais resolveriam o problema. A conta já está na casa dos R$ 800 bilhões. A provável consequência disso é a imposição de um “pacote de maldades” para financiar esses gastos, depois da crise, e a não retomada da discussão das reformas.

O que eu quero dizer é que, mesmo antes de Moro se demitir, a governabilidade de Bolsonaro já estava muito em cheque. Agora com esse anúncio, tudo isso piorou.

O governo anunciou um plano de investimentos em infraestrutura, chamado de Pró-Brasil, sem a presença de Guedes. Qual é sua avaliação sobre esse plano?

A forma de anúncio foi muito ruim, seja pelo Paulo Guedes não ter sido convidado ou pelo possível racha com o (o secretário Rogério) Marinho. Mas o plano em si não tem nenhum planejamento. O que estava escrito naqueles slides é o mesmo que rabiscamos em um guardanapo de papel, durante um almoço. São propostas muito preliminares, que não dá nem pra comentar. No entanto, talvez o plano mostre o caminho que será seguido pelo governo Bolsonaro daqui pra frente.

Talvez seja em tempos de crise que as pessoas revelem o que são. Bolsonaro já se mostrou intervencionista e nacionalista, o que contrasta com a agenda proposta por Guedes.

Se essa agenda de aumento de gastos realmente for executada, o Brasil pode voltar a passar a imagem de país que não se preocupa com o fiscal, assim como foi em 2015?

Há um argumento técnico aqui. Um aspecto muito diferente do cenário de agora com o de 2015, quando vivemos descontrole fiscal, é a diferença na taxa de juros. Naquela época a Selic estava em 14,25%, e agora ela está em 3,75% — e pode ficar abaixo de 3% até o final do ano. Isso muda tudo.

Imagina essas politicas que o governo está assumindo agora, como o adiamento do pagamento de impostos e a garantia de crédito para empresas e consumidores. Se a Selic estivesse mais alta, o custo da dívida seria muito diferente. É por isso que talvez haja certo perdão a um nível de dívida mais elevado, porque a raiz desse problema é a pandemia do coronavírus.

Agora, se o governo entrar em uma rota de abandonar o teto de gastos e começar a interferir de forma muito forte na economia podemos ver a volta de um cenário parecido com o de 2015.

Você acha que o mercado financeiro já começa a ver a saída do Guedes como uma possibilidade?

O que está precificado agora é a falta de governabilidade, mas também já começa a se considerar a saída do ministro Guedes. E a verdade é que sem a governabilidade e sem o Guedes, não sobra muito para o Bolsonaro. O mercado financeiro está reagindo mal porque precifica o crescimento futuro.

E quanto a um impeachment de Bolsonaro? Acha que os investidores já cogitam essa saída?

É difícil dizer, porque a possibilidade do impeachment exerce forças contrárias no mercado. Tem o lado negativo, que é o impeachment como processo doloroso, traumático e que promove instabilidade. A gente já sentiu isso lá em 2015 e 2016, com o governo Dilma.

Por outro lado, os investidores já começam a questionar se a saída do Bolsonaro não poderia dar uma oxigenada no governo, acabando com a questão da falta de governabilidade e abrindo espaço para uma agenda mais estável.

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