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Ubu lança "Guerras e Capital", dos filósofos Éric Alliez e Maurizio Lazzarato

Os autores desenvolvem uma teoria para pensar os primórdios desse modelo econômico e as implicações dele até hoje

22/03/2021 21h15
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Por: Redação
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"O capital é um modo de produção na exata medida em que é um modo de destruição", afirmam os filósofos Éric Alliez e Maurizio Lazzarato neste livro. Para dar conta do atual momento histórico, em que o caráter racista, nacionalista, machista e xenófobo dos novos fascismos redefine desigualdades e acentua polarizações, os autores propõem um experimento ousado: uma espécie de contra-história do capitalismo que toma a relação entre política e guerras como seu eixo. São "guerras", no plural, pois se desdobram em múltiplas dimensões da vida: guerra ecológica, guerra de raças, de gênero, de nacionalidades, guerra contra os estrangeiros, contra as mulheres, contra os indígenas, contra os pobres.

 

Para os autores, o processo de acumulação primitiva do capital implica necessariamente a promoção de guerras civis infinitas, e a matriz comum a elas é a da guerra colonial, "que nunca foi uma guerra entre Estados, mas uma guerra em meio à população e contra ela, na qual nunca foram vigentes distinções entre paz e guerra, entre combatentes e não combatentes, entre o econômico, o político e o militar".

 

Sobre os autores

 

 

Éric Alliez

 

Alliez nasceu em Paris, em 1957. Formou-se em filosofia em 1977 pela Universidade Paris IV-Sorbonne, instituição na qual defendeu o mestrado, também em filosofia, no ano seguinte. Em 1987, concluiu o doutorado, sob orientação de Gilles Deleuze, na Universidade Paris 8 Vincennes-Saint-Denis. De 1988 a 1996, foi professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tendo lecionado e ocupado cargos de direção em diversas outras instituições acadêmicas, entre elas Goldsmiths College, da University of London, e Hochschule für Gestaltung, em Karlsruhe. Entre 2000 e 2007, foi editor-fundador da revista "Multitudes". Hoje atua como professor de filosofia francesa contemporânea na Universidade Paris 8 e no Centre for Research in Modern European Philosophy (CRMEP), na Universidade de Kingston.

 

 

Maurizio Lazzarato

 

Lazzarato nasceu na Itália, em 1955. Radicou-se em Paris nos anos 1980. Durante a década de 1970, foi participante ativo do Autonomia Operaia, movimento autonomista italiano, e formou-se em ciências políticas pela Universidade de Pádua. Em 1982, a fim de escapar da perseguição política decorrente de sua militância, exilou-se na França, onde deu início a sua pesquisa sobre o trabalho imaterial, a ontologia do trabalho e os movimentos pós-socialistas. Em 1996, defendeu um doutorado sob orientação de Jean-Marie Vincent na Universidade Paris 8 Vincennes-Saint-Denis. Atualmente, Lazzarato é editor-fundador da revista "Multitudes", pesquisador internacional associado da Universidade Paris 8 e membro do Centre for Research in Modern European Philosophy (CRMEP), da Universidade de Kingston.

 

"é o próprio capital que deve ser entendido como máquina de guerra mundial, como sujeito dos confrontos estratégicos que conduz, em meio às populações, uma guerra mundial em mil fragmentos. É com base [nisso] que Alliez e Lazzarato anunciam suas três teses centrais: a acumulação econômica se soma à acumulação de meios de execução da violência como elementos essenciais à constituição do capital e do Estado; é necessário falar de guerras, no plural, pois se trata de uma multiplicidade de guerras tomadas como princípio de organização social; não se pode pensar o capitalismo mundial integrado, dirigido pelo capital financeiro, a não ser como uma máquina de guerra autonomizada, que submete o próprio Estado e seus aparelhos a sua axiomática."

– Yasmin Teixeira, em prefácio ao livro

 

"O capitalismo e o liberalismo trouxeram em seu bojo as guerras como as nuvens trazem a tempestade."

 

"A história do capitalismo é perpassada e constituída desde os primórdios por uma multidão de guerras: de classe, de raça, de sexo, de subjetividade e de civilização."

 

"O capital não é estrutura nem sistema, é 'máquina', e máquina de guerra."

 

"A guerra, a moeda e o Estado são as forças constitutivas, ou seja, ontológicas, do capitalismo."

 

"O capital é um modo de produção na exata medida em que é um modo de destruição. A infinita acumulação que desloca continuamente seus limites para criá-los novamente promove uma destruição ampliada e irrestrita. Os ganhos de produtividade progridem em paralelo aos de destruição. Manifestam-se numa guerra generalizada, a que os cientistas preferem chamar de Antropoceno em lugar de Capitaloceno, por mais que as evidências mostrem que a destruição dos meios nos quais e pelos quais vivemos começa não com o 'homem' e suas crescentes carências, mas com o capital."

 

Guerras e Capital

Éric Alliez e Maurizio Lazzarato

prefácio – Yasmin Teixeira

coleção Explosante

brochura, 432 pp.

preço de capa: R$ 94

 

Livro lançado no Circuito Ubu.

Em pré-venda no site da Ubu a partir de 5/4.

Nas livrarias em maio.

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